terça-feira, 30 de setembro de 2008

Ela


Ela estava confusa, não sabia a quem obedecer. Era aquela antiga rixa entre o certo e a vontade que dê certo, e ninguém se importava de que no meio disso tudo estivesse ela, na verdade parecia ser o motivo da existência.. a perturbar. E na sua indecisão ela tornou-se inconstante e insegura. Mas entendam, não era nada fácil estar em seu lugar.. parece que só ela sabia. E pensou, pensou, pensou. Não alcançou vitória nem consenso, lutou contra as evidências. Não teve jeito.

E num momento de impulso (como se nada do que fizesse repercutisse no futuro) se entregou, escolheu fazer o certo. Talvez tenha feito a escolha errada. Talvez não. Ela ainda não sabe ao certo. Só sabe que não está feliz, ela deveria estar feliz, não deveria? O tempo passa e nada muda, a mente voa, aperta, conturba e depois como numa auto-defesa finge que nada acontece.. vêm os fatos e esmurram de realidade o rosto dela. Ela não liga mais, nada importa. Ela está arrependida, mas está atrasada. O tempo não pára, não espera nem um minuto pra ela reconstruir tudo rapidinho. E ela aprende que a vida é rara, não aceita rascunho.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Democracia...será mesmo um mal necessário?


Feito o protesto de brincadeirinha, segue o protesto de verdade.
É triste admitir o quanto ainda é do tempo da pedra rachada as eleições nos interiores da vida... Mas pior ainda é fechar os olhos diante das injustiças cometidas em consequência disso.
Isso remete a um recente caso, acontecido em Curral Velho, interior da Paraíba. Um homem (e quando eu digo homem é Homem mesmo!), parecido com esses heróis de histórias em quadrinho que a gente pensa que não existem, é assassinado covardemente por seu inimigo político. Contando assim por cima ninguém sabe toda a história que tem por trás, por isso muitos julgam, acreditam nos jornais, que entre eles mesmos se contradizem. Por este motivo, eu vou começar do início...
Curral Velho é uma cidadezinha, pequenininha, perto de Itaporanga. Lá, desde muito tempo, há duas famílias adversárias na política, a que manda no povo (e subjuga-o!), e a que luta a favor deste. Na última eleição a primeira família chegou ao poder, não por merecimento e apoio do povo, mas por medo do mesmo. Mas a família da luta continuou, firme e forte, com o seu objetivo de libertar a cidade daquele jugo. Certa noite, estavam numa seresta o sobrinho do prefeito e pessoas dos dois lados políticos, houve uma briga, muitos saíram feridos e o sobrinho do prefeito foi atingido. Imediatamente, o pai do ferido ( irmão do prefeito) saiu a captura do candidato a vice da oposição, que aquele julgava ter sido o mandante do crime. Chegando na casa deste arrombou a porta e entrou para matar, disparou o tiro em direção a ele e o matou. Saiu da casa gritando: "E se vierem enterrá-lo aqui eu mato toda a família!!" Depois disso, em toda a cidade, ninguém falou nada, ninguém viu nada, ninguém fez nada, ninguem denunciou, ninguém nem se indignou...
Parece ficção não é?
Mas é realidade. E coisa desse tipo é corriqueiro em cidades do interior( o mandante matador, a quem todo mundo obedece), a diferença é que agora (em consequência da luta de uma família de garra) está chegando aos ouvidos do povo esclarecido, das autoridades competentes, dos meios de comunicação.
O povo da cidade, por falta de conhecimento e conscientização dos seus direitos, se cala diante de vários casos como este. É um ciclo vicioso: o povo desinformado vota no político corrupto -> o político corrupto não investe em educação, tornando o povo mais ignorante e fazendo da cidade seu curral eleitoral -> o povo desinformado vota no político corrupto...
Não tem fim... correção: pode ter um fim! E foi pensando nisso que aquele homem lutou e deixou sua marca. Espero eu que não precise de mais mortes para que isso mude, que depois desta, a justiça acorde da sua dormência, desperte pra quem realmente precisa. A justiça é cega mas não é louca.
Eu fico cá com meus botões a pensar, "e eu que pensava que isso só acontecia lá pro lado oriental do mundo, quando tem um aqui do meu ladinho", daí eu enxergo, eu posso fazer alguma coisa, eu tenho que fazer alguma coisa... tá, sempre disseram que é com pequenos atos que se muda o mundo, todo mundo não pode tá mentindo, não é possível, eu me recuso a pensar que estou de mãos atadas, será que foi por isso que escolhi o curso que escolhi? E será que um dia isso vai adiantar de alguma coisa? Não sei... é perigoso!... mas alguém tem que fazer né.
Mas eu acredito no dono de tudo isto, o maioral, sou eu fazendo minha parte de cá, e Ele fazendo a dEle de lá. E eu agradeço a Ele ainda poder votar em paz...

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